Não-ficção

Amarelo mostarda

A gente brinca sobre casar, como se fosse uma brincadeira para mim e eu aceitasse perfeitamente ser largada no altar da nossa realidade, fazendo piadas sobre isso. Eu fico com azia e ignoro o assunto, porque o relógio continua girando e não há mais tempo para resgatar o que já foi. Permaneço dizendo isso. Continuo aqui – vendo o circo pegar fogo comigo dentro. I’m fine.

Naive continua tocando ao fundo, porque a arma que flecha meu coração é a mesma que o estraçalha. Cê consegue ver que me tornei meia pessoa? Essa força gigantesca que transparece é uma faixada pobre, aquela piscina cheia de ratos que cantaram por aí. Meu coração é amarelo mostarda e cê disse que ia cuidar dele direitinho, porra.

Não sei como começar essa conversa, porque todas as partes de mim estão raivosas e eu já não me reconheço. São 1h41 e eu estou bêbada, juntando os cacos dos copos que eu não quebrei. A posição é de alerta, em constante defesa, e eu peço desculpas pelas coisas que eu não tenho certeza e me sinto mal por todas aquelas que possuo.

feminismo

Moça, seu dedo não está podre. A barraca de frutas inteira é que está.

É engraçado falar sobre isso, porque o meu público de leitores é, por alguma razão, majoritariamente masculino. Mesmo assim, resolvi aproveitar o gancho da repercussão midiática referente ao Rodrigo Hilbert para falar sobre esse assunto. Nos últimos tempos, esse moço que lhes foi citado anteriormente, tem feito bastante sucesso na internet com as mulheres devido as suas atitudes. Por exemplo, até onde sabemos ele é um bom marido, um pai presente que constrói casa na árvore para os filhos, é bem sucedido profissionalmente, cozinha, ajuda nas atividades domésticas de casa, em resumo é um homão da porra.

Ao mesmo tempo em que sua popularidade com as mulheres só aumenta, com os homens você encontra hashtags e declarações que dizem que não há como competir com Rodrigo Hilbert e que, por isso, precisamos pará-lo. Será mesmo que precisamos? De repente aparece um homem que não faz NADA além de sua obrigação como pai, companheiro e profissional, mas que por fazer o básico se tornou uma ameaça modelo para os outros homens. O machismo embutido em “precisamos pará-lo” se tornou cada vez mais nítido para mim.

Nós mulheres reproduzimos frequentemente a frase de que temos dedo podre cada vez que nos envolvemos com um cara que parecia ser nice, embora não fosse realmente. Mas será possível eu, você e todas as nossas amigas terem esse mesmo problema? Se você analisar bem e entender que esse é um problema geral, fica claro que a questão não é o nosso dedo podre, mas sim a barraca inteira de frutas estragadas.

É complicado para nós, mas, principalmente para os homens, reconhecer que há uma enorme falha no modelo patriarca. É culpa do sistema sim, mas também é culpa de todos os homens que enxergam um cara nice como uma ameaça, ao invés de simplesmente melhorarem como seres humanos. Em pleno século vinte e um, afirmo com total certeza que ego de homem é mais frágil do que um bebê recém nascido.

Fugindo da ponte do machismo, se utilizarmos o termo bom senso para que um homem trate uma mulher bem, seja um bom companheiro, um pai presente e ainda seja um bom profissional, não é difícil ver que isso também está em falta. Entendo perfeitamente que a ponte do machismo ofende, porque ninguém quer admitir que se sente superior de alguma forma a uma mulher. É tudo muito velado nos dias atuais – tão velado que se esconde atrás de argumentos como a gentileza ou que essa é a função do homem. Por isso termino esse texto com a seguinte pergunta: a função do homem é realmente afastar as mulheres com as suas atitudes babacas ou se tornar um ser humano melhor, que evolui dia após dia, sem querer interromper  quem o faz?

Não-ficção

06/2017

Fumei um baseado para anestesiar a alma das perdas do passado. Abracei por muito tempo certas dores, fui sugada até o último segundo por elas. A falta que você faz está em todos os cômodos dos caminhos que passo, embora nesse momento eu carregue a certeza de que há coisas que já não podem ser mais.

O fim da gente foi um baque. Queria que você tivesse sido mais honesto, porque tentar me poupar foi falho e me minou de maneiras que não consigo descrever aqui. Não quero que cê se sinta ferido por mim e pelas coisas que escrevo. Queria ter encontrado outra maneira de colocar um término das coisas no mais profundo de mim, mas escrever é quem eu sou.

Sinto muito pelas coisas ruins terem se tornado mais pesadas e constantes do que as boas. Não quis te sobrecarregar com as minhas expectativas voluptuosas que sentam nos ombros da gente e não saem nunca mais. No fim das contas, a gente se despediu num momento cheio de situações impactantes e, a sensação que ficou, foi de que meu carro bateu. Bati. Train wreck.

Fico repetindo o meu clichê brega de sempre, que até uva passa. Em parte, porque sei que vai; Em outra, porque torço para que sim. Ainda estou tentando me desprender das sensações de massacrada e traída – ou talvez nem tanto. Cê quebrou uma das minhas partes mais bonitas, mas me ajudou a dar a luz a minha favorita.

Perdi as forças e não consigo mais ficar pulando de um fundo do poço para outro, sem nunca encontrar a saída. Não quis chacoalhar nenhuma caixa superlotada de fantasmas do passado. Is empty without you. Sobrou essa casa cheia de pacotes com as coisas que ficaram para trás, não ditas. Sobrou também um cartão que dizia que o fim da gente não era o fim do amor.

Sem categoria

Tudo novo, de novo.

Quem me conhece há algum tempo sabe que tive e fui bastante ativa na vibe de produção de conteúdo via blog; depois adormeci e segurei por um fio o que restava disso na minha vida. A história é aquela mesma de sempre: fiquei adulta e comecei a ter meus boletos para pagar. Saí de casa. Engravidei. Me tornei mãe de um ser humaninho cheio de luz.

A Sammy blogueirinha de dezesseis anos sonhava com coisas completamente diferentes, embora as situações sejam parecidas em too many aspectos. A sammy blogueirinha de vinte dois anos promete fazer o que pode, porque definitivamente nem todos os dias são um bom dia e ainda preciso aprender a rotinizar pontos mais vitais.

Fiz um menu cheio de categorias que tão ali só para me guiar e, principalmente, fazer a minha vida acontecer. Mentira se eu disser que não quero fama e dinheiros, porque todo mundo quer. mas um pedaço colossal de mim tá tentando encontrar uma forma de só acordar um pouco.

Vida que segue e até o próximo post.