feminismo

Moça, seu dedo não está podre. A barraca de frutas inteira é que está.

É engraçado falar sobre isso, porque o meu público de leitores é, por alguma razão, majoritariamente masculino. Mesmo assim, resolvi aproveitar o gancho da repercussão midiática referente ao Rodrigo Hilbert para falar sobre esse assunto. Nos últimos tempos, esse moço que lhes foi citado anteriormente, tem feito bastante sucesso na internet com as mulheres devido as suas atitudes. Por exemplo, até onde sabemos ele é um bom marido, um pai presente que constrói casa na árvore para os filhos, é bem sucedido profissionalmente, cozinha, ajuda nas atividades domésticas de casa, em resumo é um homão da porra.

Ao mesmo tempo em que sua popularidade com as mulheres só aumenta, com os homens você encontra hashtags e declarações que dizem que não há como competir com Rodrigo Hilbert e que, por isso, precisamos pará-lo. Será mesmo que precisamos? De repente aparece um homem que não faz NADA além de sua obrigação como pai, companheiro e profissional, mas que por fazer o básico se tornou uma ameaça modelo para os outros homens. O machismo embutido em “precisamos pará-lo” se tornou cada vez mais nítido para mim.

Nós mulheres reproduzimos frequentemente a frase de que temos dedo podre cada vez que nos envolvemos com um cara que parecia ser nice, embora não fosse realmente. Mas será possível eu, você e todas as nossas amigas terem esse mesmo problema? Se você analisar bem e entender que esse é um problema geral, fica claro que a questão não é o nosso dedo podre, mas sim a barraca inteira de frutas estragadas.

É complicado para nós, mas, principalmente para os homens, reconhecer que há uma enorme falha no modelo patriarca. É culpa do sistema sim, mas também é culpa de todos os homens que enxergam um cara nice como uma ameaça, ao invés de simplesmente melhorarem como seres humanos. Em pleno século vinte e um, afirmo com total certeza que ego de homem é mais frágil do que um bebê recém nascido.

Fugindo da ponte do machismo, se utilizarmos o termo bom senso para que um homem trate uma mulher bem, seja um bom companheiro, um pai presente e ainda seja um bom profissional, não é difícil ver que isso também está em falta. Entendo perfeitamente que a ponte do machismo ofende, porque ninguém quer admitir que se sente superior de alguma forma a uma mulher. É tudo muito velado nos dias atuais – tão velado que se esconde atrás de argumentos como a gentileza ou que essa é a função do homem. Por isso termino esse texto com a seguinte pergunta: a função do homem é realmente afastar as mulheres com as suas atitudes babacas ou se tornar um ser humano melhor, que evolui dia após dia, sem querer interromper  quem o faz?

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maternidade

“na criação do meu filho eu vou fazer diferente”: expectativa X realidade

É engraçado esse papo, porque ter filho parece ser a coisa mais revolucionária do universo e você quer pegar todas as suas ideias eco sustentáveis legais pra caralho e aplicar na vida daquele ser humaninho virgem de tudo. Lembro dos planos que tive com o pai da minha filha sobre não querer que Nina assistisse televisão ou mexesse em nossos celulares; ou bater o pé firme dizendo que ninguém tiraria fotos sem necessidade e, principalmente, sem a nossa permissão. Na prática é bem mais difícil.

É pesadíssimo combater uma sociedade inteira, porque uma criança não pode ser criada somente pelos seus pais. Quando me dei conta, me rendi tanto a Galinha Pintadinha que é isso o que me pego cantando mentalmente nos meus momentos de descanso. Não dá pra esconder o seu filho dos perigos do mundo, dos vícios da tecnologia, de todas as comidas gostosas que não fazem tão bem assim; Nem se culpar por descobrir que instinto materno não existe e que certas coisas a gente só aprende fazendo.

montagem

Amamentar é o cão chupando manga e fraldas de pano são um plano a longo prazo que nem sempre funciona pra você. Licença maternidade dura 120 dias, que passam voando e quando acaba, sua cria ainda é um bebê. Não dá pra não contar com a ajuda dos outros – em fato, é necessário que você o faça -, tão pouco se desesperar por passar oito horas no trabalho e digerir isso como uma eternidade. Cê tá fazendo o que pode.

Muita coisa não é dita quando se recebe a notícia de que um filho está a caminho. Os constrangimentos e machismos da gestação eu deixo para outra ocasião, nesse momento, só os aprendizados rotineiros de criação é que serão citados. Dessa lista enorme de coisas que mudaram – admito que nasci de novo e me tornei outra mulher completamente diferente do que já fui -, a principal delas foi descobrir que dois segundos depois tem outra coisa nova. Minha filha descobre o mundo um pouquinho mais a cada minuto e eu a descubro junto.

Criar um ser humano não é essa coisa com sete cabeças, mas talvez tenha umas cinco.