Não-ficção

Amarelo mostarda

A gente brinca sobre casar, como se fosse uma brincadeira para mim e eu aceitasse perfeitamente ser largada no altar da nossa realidade, fazendo piadas sobre isso. Eu fico com azia e ignoro o assunto, porque o relógio continua girando e não há mais tempo para resgatar o que já foi. Permaneço dizendo isso. Continuo aqui – vendo o circo pegar fogo comigo dentro. I’m fine.

Naive continua tocando ao fundo, porque a arma que flecha meu coração é a mesma que o estraçalha. Cê consegue ver que me tornei meia pessoa? Essa força gigantesca que transparece é uma faixada pobre, aquela piscina cheia de ratos que cantaram por aí. Meu coração é amarelo mostarda e cê disse que ia cuidar dele direitinho, porra.

Não sei como começar essa conversa, porque todas as partes de mim estão raivosas e eu já não me reconheço. São 1h41 e eu estou bêbada, juntando os cacos dos copos que eu não quebrei. A posição é de alerta, em constante defesa, e eu peço desculpas pelas coisas que eu não tenho certeza e me sinto mal por todas aquelas que possuo.

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