Não-ficção

06/2017

Fumei um baseado para anestesiar a alma das perdas do passado. Abracei por muito tempo certas dores, fui sugada até o último segundo por elas. A falta que você faz está em todos os cômodos dos caminhos que passo, embora nesse momento eu carregue a certeza de que há coisas que já não podem ser mais.

O fim da gente foi um baque. Queria que você tivesse sido mais honesto, porque tentar me poupar foi falho e me minou de maneiras que não consigo descrever aqui. Não quero que cê se sinta ferido por mim e pelas coisas que escrevo. Queria ter encontrado outra maneira de colocar um término das coisas no mais profundo de mim, mas escrever é quem eu sou.

Sinto muito pelas coisas ruins terem se tornado mais pesadas e constantes do que as boas. Não quis te sobrecarregar com as minhas expectativas voluptuosas que sentam nos ombros da gente e não saem nunca mais. No fim das contas, a gente se despediu num momento cheio de situações impactantes e, a sensação que ficou, foi de que meu carro bateu. Bati. Train wreck.

Fico repetindo o meu clichê brega de sempre, que até uva passa. Em parte, porque sei que vai; Em outra, porque torço para que sim. Ainda estou tentando me desprender das sensações de massacrada e traída – ou talvez nem tanto. Cê quebrou uma das minhas partes mais bonitas, mas me ajudou a dar a luz a minha favorita.

Perdi as forças e não consigo mais ficar pulando de um fundo do poço para outro, sem nunca encontrar a saída. Não quis chacoalhar nenhuma caixa superlotada de fantasmas do passado. Is empty without you. Sobrou essa casa cheia de pacotes com as coisas que ficaram para trás, não ditas. Sobrou também um cartão que dizia que o fim da gente não era o fim do amor.

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